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segunda-feira, 1 de março de 2010

Apolinário Andrade
Publicado em fevereiro 12, 2008 por Soteropolitanos

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Depoimentos de Apolinário José de Andrade e seu filho Roque Cícero, moradores de Novo Marotinho desde a década de 50.

Novo Marotinho é porque desapiaram (desapropriaram) um Marotinho que tinha lá na Fazenda Grande do Retiro. Então tiraram os pessoá de lá e botaram pra aqui. Lá era o velho Marotinho, então botaram aqui “Novo Marotinho”.
(Apolinário Andrade)

Marotinho era o fundador de lá. O terreno que eles invadiram pertencia a esse Marotinho. E até hoje ainda existe na baixada. O prefeito da época tirou de lá e mandou pra aqui. Tudo isso aqui era uma fazenda, chamava Mar Vila. Aí o pessoal botaram Fazenda Má Vida, porque era uma fazenda desgraçada de feia e não tinha nada de mar perto…
Saindo do Brasil Gás, até São Cristóvão, era sítios e fazendas. Depois que o pessoal começou a frequentar mais, aí foram vendendo, surgiu esse bairro, surgiu Sete de Abril, Jardim Nova Esperança, Vila Mar, Nova Brasília, Coqueiro Grande. Está tudo diferente hoje. Diferente pra melhor e pra pior… Melhor porque antigamente só tinha sítio, era tudo ar livre. E hoje é uma poluição da zorra. Então naquele tempo acho que era melhor.
(Roque Cícero)

Aqui não tinha rua não. Era só a Estrada (EVA). O pessoal foi derrubando as árvores pra fazer casa. A maior parte desses terrenos aqui foi a prefeitura que deu. Da rodagem pra cá. Pra lá, não. A minha casa eu comprei na mão da Urbis. Agora é fácil comprar casa aqui. Não é caro não. Na base de R$5 mil, R$ 6 mil.
A violência aqui mudou muito. Tá melhor do que antes. Tem o módulo policial ali. Embora só veve fechado, mas o pessoal receia. Hoje mesmo tá fechado. Aqui era violento, agora não tá não. Eu fiz aquele módulo policial, que não tinha. Então a gente juntou aqui, eu com os com comerciários, e fizemos. Tem uns 10 anos. Agora ele está fechado…
Posto de saúde tem. Se eu quiser, tem aí posto de saúde. Se não quiser, pego o carro e vou pra outro bairro. Agora, aqui não tem uma farmácia.
O transporte aqui, antes, tinha um senhor chamado João, que tinha um caminhão e tinha sete ônibus “da cara curta”. Então, esse homem morreu, tiraram os carros. Ficou um carro. Aí veio um rapaz, botou um carro. Aí tinha escrito: “Sou pioneiro, se chover não me espere”. Porque tinha muita lama, o carro pegava, não saía… Hoje o transporte é bom, toda hora tem. Todo canto tem transporte aqui. Lá na principal.
O asfalto aqui em Marotinho chegou foi no tempo de Mário Kertész. Pra mim, todos os prefeitos foi bom. O pior é esse que está aí agora (João Henrique), não fez nada! Eu chamo ele “João pintor”. O negócio dele é pintar rua. O pai dele até foi um bom governador. Ele é péssimo. O pai, João Durval, o que fez aqui foi botar esse campo de bola (Estádio do Barradão) pelo menos.
Aqui não tem esgoto, é tudo fossa. O Bahia Azul não chegou ainda.
(Apolinário Andrade)

CELEBRAÇÕES

Tinha uma festa aqui na Escola Municipal Sete de Abril (onde atualmente é a Escola Novo Marotinho). Esse arvoredo aí mesmo nós que plantamos no Dia da Árvore. Então marcava e todo ano fazia festa de fim-de-ano, festa de São João. Dia da Árvore a gente festejava muito bem mesmo, vinha o prefeito, vinha celebridade. Hoje não tem, a consciência do povo é outra. Aquele tempo era melhor. Ainda tinha aqui o Dia do Marotinho. Era 12 de outubro. Era bem organizada, sem violência, sem nada. Tinha uma programação que começava 6h da manhã e só terminava 10h da noite. Na parte de esporte quem cuidava mais era eu. Dia das Crianças e Dia do Marotinho.
(Roque Cícero)

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HISTÓRIA DE VIDA

O meu nome é Apolinário José de Andrade. Eu tenho 91 anos de idade. Só o que me persegue é a vista, que eu só não enxergo direito… Eu casei com Benedita em 38. Eu tenho seis filhos, alguns netos e um bisneto, mas morando aqui comigo eu tenho Marinalva, José, Marina e Mariá. Meus filhos tudo nasceram no interior da Bahia, São Felipe. Eu morava lá.
Naquela época, em 1955, eu tomava conta de uma chácara ali. Depois ele vendeu essa chácara a outro. Então queria que eu fosse para Itaberaba. Eu disse:
- Pra Itaberaba eu não vou.
Aí ele disse:
- Então, alugue uma casa.
- Como é que eu posso alugar uma casa? Desempregado…
- Eu pago o aluguel até o senhor arranjar um emprego.
Aí eu fui e arranjei uma casa. E todo mês eu ia buscar o ordenado que eu ganhava e o aluguel da casa. Mas eu achei… Trabalhando de graça? Trabalhando pra os outros assim de graça? Aí o dono chegou e perguntou se eu queria trabalhar na fazenda. Eu disse:
- Quero.
- Então você se apresenta lá, que meio-dia eu vou lá.
Quando foi meio-dia ele veio aqui.
- Eu quero que você tome conta de tudo isso aqui, mas não é pra trabalhar, não. É pra tomar conta.
Aí eu fiquei como capataz. Levei 25 anos. Depois eles deram isso aqui e eu fui trabalhar na rua como fiscal de feira.
Essa loja de peças tem 15 anos. Primeiro eu tinha um bar aqui. Depois eu perdi a vista, não pude mais trabalhar, então eu aluguei. Meu filho botou a casa de peças e eu fico aqui tomando conta. Ele tem oficina também.
Hoje, o que eu mais gosto de fazer é dormir. Já trabalhei demais. (risos) Dormir e comer, não tem nada melhor. Não fico parado não. Vou pro mercado, vou pra praia. Nós temos casa lá em Amoreiras. Todo ano vou pra lá com a família. A gente fica 20, 30 dias. Morar em outro bairro? Que nada! Eu gosto daqui. Só saio daqui para o caixão!
(Apolinário Andrade)

Entrevista realizada em 16 de novembro de 2007.

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